Talvez este seja o texto mais reflexivo que eu já escrevi. E, sem dúvida, um dos mais sinceros. A ponto de me fazer pensar se o nome do blog ainda faz sentido, ou se isso aqui já é o começo de uma nova fase, uma nova forma de pensar e escrever.
Mas afinal, o que é uma pessoa transitória?
Eu nem sei se esse termo existe, pesquisando hoje nesse grande oráculo moderno chamado TikTok, cheio de curiosidade rasa e certezas absolutas sim, foi ironia, vi muito sobre pessoas temporárias, pessoas passageiras, ainda assim, senti vontade de nomear algo diferente, talvez inventar um conceito, talvez apenas tentar me entender.
Para isso, preciso contar um pouco da minha história.
Estou em relacionamentos desde os 16 anos. Hoje tenho 28, quase chegando aos 29. Passei boa parte da minha vida adulta acompanhado, sempre saindo de um relacionamento e entrando em outro, nunca foram relações curtas. nada de “coisas de meses” eu sempre fui o cara que namora por anos.
Meu primeiro relacionamento foi bem intenso, eu namorei, noivei e casei, casamento de verdade. com cartório, igreja, gente jogando arroz, tudo muito bonito, quase como um filme da Disney. Dois anos depois veio o fim, uma traição da parte dela, algo doloroso, devastador, mas sobrevivi. Meses depois descobri que ela estava namorando outro e vivendo algo que comigo nunca aconteceu, feliz a vida seguiu para ela.
O segundo relacionamento durou três meses. Até hoje não sei se posso chamar de namoro, foi simples, genérico, quase raso, depois que terminou, ela conseguiu um emprego melhor do que aquele que eu havia ajudado a conquistar, entrou na faculdade, viajou para fora do Brasil.
O terceiro relacionamento durou três anos e sete meses. E olha um tempo considerável, quando acabou, ela conseguiu não apenas um, mas dois empregos. Cresceu pessoalmente, profissionalmente, espiritualmente e emocionalmente. Não uma evolução perfeita, mas honesta, do tipo que respeita as próprias dores.
O último relacionamento foi curto, mas forte demais sabe. Nos conhecemos no corredor da faculdade. viramos amigos e quando percebi, estava completamente apaixonado, eu pulei de cabeça, me entreguei. Fiz mais do que podia e mais do que devia, mas nenhuma entrega sustenta um amor que não é recíproco. O fim veio claro e eu fui trocado.
Não escrevo isso para me vitimizar. Tenho consciência dos meus erros e sei que em algumas histórias fui vilão, que machuquei e disse coisas que não deveria ter dito, este texto não é um julgamento da minha vida, mas uma constatação. eu sempre estive em um relacionamento e agora, pela primeira vez, me vejo sozinho, e claro sendo sincero, estou odiando.
Todos dizem que é necessário, que vou aprender a gostar, a me conhecer melhor., a minha psicóloga diz isso, conhecidos dizem isso, pessoas bem-intencionadas dizem isso. No entanto a verdade é que estou odiando cada minuto, cada dia pesa e cada silêncio incomoda.
E talvez seja por isso que comecei a me enxergar como uma pessoa transitória.
Alguém que passa e que ensina algo, que ajuda o outro a se entender, a crescer, a se preparar para o mundo, e quando vai embora, ou é retirado da vida de alguém, a pessoa floresce, evolui, segue em frente.
Eu poderia sentir raiva disso, mágoa, inveja. Mas, estranhamente, sinto orgulho, saber que, mesmo sendo o vilão de algumas histórias, ou o erro necessário, eu ajudei alguém a dar passos adiante diz algo sobre mim.
Ser uma pessoa transitória não é só perda, não é apenas fracasso.
Mas confesso que, pelo menos uma vez, eu queria que alguém ficasse, queria aprender a enxergar melhor os sinais, ser mais profundo, oferecer algo que não seja apenas passagem. Algo que seja permanência.
Como escreveu Carl Jung, “a solidão não vem de estar só, mas de não ser compreendido”. Talvez o que mais doa não seja a ausência de alguém ao meu lado, mas a sensação de nunca ter sido plenamente entendido enquanto eu ainda estava ali.
No fim das contas, talvez isso não tenha sido um texto reflexivo.
Talvez tenha sido só um desabafo mesmo.
E está tudo bem.

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