Eu tenho 29 anos de idade e, desde sempre, estive em algum relacionamento. Sempre namorando, entrando em um relacionamento ou saindo de outro. Nunca tive, de verdade, uma fase solteiro. Alguns relacionamentos foram curtos, outros muito longos, mas nunca tive um tempo só meu, solteiro, para respirar e me conhecer sem estar ligado a outra pessoa.
E eu estou vivendo isso agora.
Faz alguns meses que estou sozinho e vou confessar para vocês: estou odiando cada segundo disso.
Existem pessoas e eu gosto de pensar assim que nasceram para estar em relacionamento. Pessoas que precisam estar conectadas com alguém. Não porque a felicidade delas depende completamente de outra pessoa, mas porque o bem-estar de dividir a vida com alguém faz parte de quem elas são.
Eu sou esse tipo de pessoa.
Eu sou o tipo de ser humano que gosta de conviver com outro alguém. Eu não gosto muito de multidão, não gosto muito de grupos grandes de amigos, não gosto de estar no meio de muita gente. Eu gosto de estar com uma pessoa. Gosto da ideia de dividir a vida com alguém e aproveitar o máximo que a vida pode proporcionar junto com essa pessoa.
E agora eu estou solteiro… e isso é horrível.
Minha psicóloga tenta, toda semana, colocar na minha cabeça que eu deveria experimentar mais a vida sozinho. Passear, viajar, viver experiências únicas, me conhecer melhor. E eu concordo com ela. De verdade, concordo mesmo.
Mas nada tira da minha cabeça que estar em um relacionamento é uma das melhores coisas do mundo.
Quanto mais eu vejo TikTok, assisto anime ou revejo séries que já assisti mil vezes, mais eu fico olhando para aquelas histórias e pensando: quando vai chegar a minha vez de ser feliz assim?
Talvez seja exagero, talvez seja só romantização demais da vida. Mas é o que passa na minha cabeça.
Eu comecei a namorar muito cedo, com 16 anos. Esse relacionamento foi tão sério que acabamos noivando e depois casando. Ficamos juntos por cerca de dez anos.
Não vou dizer que foi maravilhoso, mas também não foi algo ruim. Era mais um processo de crescimento. Dois adolescentes tentando aprender a ser adultos juntos, cheios de imaturidade e erros.
Mas um dos lados acabou errando mais.
Eu confiei tanto nela que, em alguns momentos, acabei não estando tão presente quanto deveria. E ela encontrou outra pessoa que estava ali, presente.
Ao mesmo tempo em que eu sinto vontade de culpá-la ou sentir raiva, uma parte de mim também consegue entender o que aconteceu.
Depois da separação, eu conheci outra pessoa. Ela era muito mais madura, tinha uma experiência de vida enorme comparada à minha, e eu me apaixonei perdidamente.
Três meses depois, ela me deixou.
Fiquei arrasado, tentando entender o que eu tinha feito de errado, o que eu deixei de fazer, onde eu falhei.
Algum tempo depois, conheci outra pessoa maravilhosa em praticamente todos os aspectos que você possa imaginar. Eu adorava passar o tempo com ela. Gostava da companhia dela, das conversas, de dividir momentos simples.
Mas havia problemas sérios envolvendo outras pessoas na vida dela, coisas que acabavam interferindo diretamente no nosso relacionamento.
Chegou um momento em que eu não consegui mais lidar com isso. Eu queria ser o salvador dela, sem entender que eu não deveria ser o salvador de ninguém. Eu deveria ser apenas um companheiro.
Quando eu finalmente entendi isso, algo meio que se quebrou dentro de mim. O carinho, o amor e o afeto ainda existiam, mas eu não conseguia mais me enxergar no futuro com ela. Eu me sentia preso.
E então eu terminei.
Depois disso, conheci outra pessoa. Talvez essa tenha sido a que mais mexeu comigo.
Ela abalou o meu mundo de uma forma que, até hoje, eu não sei exatamente como reagir. Faz alguns meses que nos separamos na verdade, ela terminou comigo e não passa um dia sequer sem que eu tente entender onde eu errei, como eu errei ou o que eu poderia ter feito diferente.
No início, eu decidi que teria um tempo sozinho. Pensei: vou ficar pelo menos um mês sem conhecer ninguém, focar em mim, colocar meus objetivos em prática.
Mas esse mês passou.
E agora eu estou meio que em um limbo.
Não estou desesperadamente procurando alguém, mas ao mesmo tempo também estou tentando encontrar alguém. Eu crio expectativas facilmente. Qualquer pessoa com quem eu tenha um mínimo de conexão já faz minha cabeça começar a imaginar mil possibilidades.
Qualquer amiga com quem eu converso um pouco mais, qualquer pessoa com quem sinto um pouco de afinidade, já me faz imaginar mil cenários diferentes na minha cabeça.
Eu sei que isso não é saudável. Talvez até beire a loucura.
Mas é o meu coração desesperado por atenção, desesperado por carinho.
No fundo, o que eu quero é algo muito simples.
Eu quero viver um romance de uma noite chuvosa.
Quero estar em casa, com a chuva caindo lá fora, ligar a televisão, colocar uma série ou um filme que eu já vi mil vezes, comer alguma coisa gostosa e estar abraçado com alguém que eu amo.
Só isso.
É estranho como o coração da gente funciona. Eu tenho um trabalho pelo qual sou apaixonado. Estou fazendo faculdade de algo que também amo. Estou vivendo coisas que nunca imaginei que viveria. Saindo para lugares legais, conhecendo pessoas interessantes, criando amizades.
Mas, ainda assim, sinto que falta alguma coisa.
Sinto como se houvesse um espaço vazio dentro de mim.
Talvez esse seja só mais um desabafo de alguém que ainda está tentando entender o que quer da vida. Ou talvez eu até saiba o que quero, mas sinto que ainda falta algo para chegar lá.
Talvez seja isso: eu me sinto incompleto.
Tenho 29 anos. Vejo colegas, amigos, primos e pessoas ao meu redor já indo para o segundo filho, construindo famílias, seguindo caminhos que parecem muito definidos.
E eu ainda estou aqui, procurando sentir algo que parece coisa de adolescente. Procurando sentir aquelas famosas borboletas no estômago, aquele encantamento.
Talvez a culpa seja dos meus pais.
Eu cresci vendo os dois completamente apaixonados um pelo outro.
Talvez a culpa também seja dos livros de romance. Nicholas Sparks definitivamente bagunçou minha cabeça e me fez acreditar que um amor real pode existir de muitas maneiras diferentes.
E eu ainda acredito nisso.
Enfim… não tenho muito mais o que dizer.
Só posso torcer para que um dia eu encontre alguém. Quem sabe daqui a alguns meses eu volte aqui para escrever dizendo o quanto estou feliz.
No momento, eu me sinto perdido.
Mas talvez, um dia, eu encontre alguém.
Até lá, a gente continua conversando sobre anime, filosofia, pensamentos aleatórios e tudo mais que passa pela minha cabeça.
Porque eu tenho apenas uma certeza:
quando eu começar a namorar de novo, eu vou ser insuportável.
Porque é isso que eu sou quando estou apaixonado.
Eu fico insuportável.
É isso.
Beijos.

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